terça-feira, 17 de maio de 2011

Poções-BA: “Tem coisas que não dá para fingir que não vê”


Seja qual for o número de abusos sexuais em crianças que se vê nas estatísticas, seja quantos milhares forem, devemos ter em mente que, de fato, esse número pode ser bem maior. A maioria desses casos não é reportada, tendo em vista que as crianças têm medo de dizer a alguém o que se passou com elas. E o dano emocional e psicológico, em longo prazo, decorrente dessas experiências pode ser devastador.
O abuso sexual às crianças pode ocorrer na família, através do pai, do padrasto, do irmão ou outro parente qualquer. Outras vezes ocorre fora de casa, como por exemplo, na casa de um amigo da família, na casa da pessoa que toma conta da criança, na casa do vizinho, de um professor ou mesmo por um desconhecido.
A violência sexual é um pesadelo na vida de muitas crianças e adolescentes. Os números na Bahia são alarmantes: De acordo com dados do Ministério Público Estadual, a violência sexual contra crianças e adolescentes tem crescido de forma preocupante. Em 2005, foram registradas 225 denúncias; em 2006 este número aumentou para 467. Já em 2007, o Centro de Apoio Operacional a Promotoria da Infância e Juventude, recebeu, através da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, 1.229 relatos de casos de violência sexual; em 2008, foram registradas 1.646 denúncias e, em 2009, 1.585. No ano de 2010 foram registradas 1.356 denúncias.
Em nosso município os números também são preocupantes. Os casos de exploração sexual de crianças e adolescentes atendidos pelo Conselho Tutelar de Poções no período de janeiro a setembro de 2010 somam 20 casos. Já nesse ano (01 de janeiro a 17 de maio) os números cresceram, foram vitimadas 21 novas crianças/adolescentes.

01/01/2011 a 17/05/2011
Total = 21 casos
Vítimas do Sexo Feminino
19 casos
Vítimas do Sexo Masculino
02 casos
Exploração Sexual
02 Casos
Abuso Sexual
19 Casos
Crianças vítimas
Entre 05 a 10 anos de idade
Adolescentes vítimas
Entre 12 a 16 anos de idade)
Zona Urbana
17 casos
Zona Rural
01 caso
Intermunicipal
03 casos
A exploração sexual de crianças e adolescentes é um crime que choca e revolta. Mas, ficar indignado não basta. Se você sabe de algum caso, denuncie imediatamente. Disque 100. O sigilo é absoluto e as sua atitude protege os direitos e os sonhos de muita gente.
  *Banner: Pró-Menino

segunda-feira, 16 de maio de 2011

A bola está com você - Violência Sexual Contra Crianças e Adolescentes: O que você tem a ver com isto?


Recente pesquisa da BBC de Londres identificou que o Brasil tem sido um dos 27 países que influencia positivamente o mundo. Entretanto, as vésperas de completarmos 21 anos da promulgação do Estatuto da Criança e do Adolescente lei 8069/90, dezesseis anos do início da Campanha para o Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, o quadro de proteção a população infanto-juvenil não faz jus a esta constatação. No país do futebol, do carnaval, da corrupção, do sucateamento da educação continuamos com a temática da exploração e violência sexual contra crianças e adolescentes.
Os números mostram o inferno a que estão submetidas as nossas crianças. Dados do Disque Denúncia Nacional (Disque 100) indicam que, desde maio de 2003 até março deste ano, foram feitas mais de 63 mil denúncias de abuso. A Bahia é o Estado que registra mais ligações (7.708), seguido por São Paulo (7.297) e Rio de Janeiro (5.563). Infelizmente, não há dados oficiais sobre o número exato de crianças e adolescentes que vivem essa realidade no país.
Em 2010 foram registrados 12.487 casos de violência sexual contra crianças e adolescentes. No primeiro trimestre de 2011, já houve 4.205 casos, sendo a maioria das vítimas do sexo feminino. Apesar de várias campanhas de combate à pedofilia, este parece ser um ano muito sombrio, as pessoas têm ignorado o assunto e por isso o demônio da pedofilia segue atuando, destruindo e aterrorizando muitas famílias, gerando sofrimento, pois há confusão, desinformação, medo e vergonha.
Há uma evolução, em 2006, registrou-se denúncias de 882 municípios, em 2010 foram de 4.886. Entre 2003 e 2010 o Disque 100 realizou um total de 2.556.775 atendimentos e encaminhou 145.066 denúncias de todo o país.
No Brasil e no mundo a pedofilia avança de forma preocupante na internet, são inúmeros os casos de denúncias, violência contra menores de idade seguidos de abuso sexual.
As pesquisas e registros constatam que cerca de 70% dos estupros ocorrem no âmbito familiar, as crianças normalmente começam a ser abusadas sexualmente aos 7 e 8 anos. Ao completar 12, 13 anos, elas começam a ter noção de sexualidade falam sobre o abuso com a mãe ou vizinhos. Se a vítima é criança, o caso é descoberto quando alguém flagra ou percebe o comportamento alterado dela.
Para intervir precisamos saber - Qual a diferença entre abuso sexual e exploração sexual? 
O abuso é qualquer ato que ofenda a pessoa, extrapolando os limites do desenvolvimento ou exercício autônomo e sadio de sua sexualidade, visando unicamente à satisfação de um desejo sexual próprio do agressor, ou seja, no abuso sexual, o agressor procura unicamente satisfazer seus desejos mediante a violência sexual. 
Por sua vez, a exploração é a obtenção de alguma vantagem, financeira ou não, diversa do prazer oriundo da violência. Caracteriza-se por ser uma relação mercantil, em que o agredido é considerado mera mercadoria. 
Mas afinal - Quem é o explorador?  É um criminoso comum.  Os principais violadores não são desconhecidos, são pessoas que vivem próximas ou, na maioria das vezes, aquelas em que a vítima mais confia. No Brasil, a cada oito minutos uma criança é vítima de abuso sexual. De acordo com o Ministério da Justiça, 60 mil crianças são violentadas sexualmente por ano e 82% têm entre 2 e 10 anos e, em 90% dos casos, o violador é um membro da família - pai biológico, padrasto, tios, avôs ou irmãos.
O quadro pode ser modificado portanto, A bola está com você - Violência Sexual Contra Crianças e Adolescentes: O que você tem a ver com isto? Tudo! O primeiro passo é não calar-se, porque tem coisas que não dá para fingir que não vê. Violência sexual contra crianças e adolescentes é crime.
Precisamos incentivar a denúncia, pois “Quem cala, consente” e buscarmos soluções conjuntas para o drama vivido por muitas meninas e meninos. Não basta ser apenas no período de carnaval, quando milhões de pessoas circulam pelas ruas das cidades ex: Salvador, Rio de Janeiro, Recife. Precisamos identificar e combater diariamente as redes interestadual e municipal de exploração sexual infanto-juvenil no Brasil.
Você pode contribuir na sua cidade procurando através dos Conselhos Municipais dos Direitos da Criança e do Adolescente, Conselho Tutelar, de Assistência Social, Delegacias de Polícia, Vara da Infância, CRAS e CREAS.  Quais afinal são as políticas públicas, visando à prevenção e o combate à rede exploratória, bem como a garantia do cumprimento do Estatuto da Criança e do Adolescente em sua cidade?
É possível constatarmos que as mobilizações têm gerado denuncias, mas lamentavelmente a maioria dos municípios brasileiros não dispõe das Varas Criminais Especializadas da Infância e Juventude, impedindo a celeridade na apuração e julgamento dos crimes.
Precisamos saber - Quais os serviços disponíveis as vitimas e abusadores?
Setores apontados como facilitadores da exploração sexual nos Estados também tem sido sensibilizados ao longo das mobilizações, caminhoneiros, desestimulando o transporte de adolescentes e alertando para o perigo de facilitar a exploração de meninas, postos de gasolinas e bares em beira de estradas, entrada de cidades e casas noturnas.
Precisamos fortalecer as ações com o apoio do Governo do Estado, das Prefeituras Municipais e Universidades, incluindo a campanha em seus discursos e políticas oficiais, na formação continuada das Polícias Federal, Militar e Civil para assumirem papéis estratégicos no enfrentamento da questão e, também, os profissionais da Educação tem papel importantíssimo nesta luta, desenvolvendo ações de formação, prevenção e orientação das famílias, dos alunos e da comunidade.
 
 *Reginaldo de Souza Silva – Doutor em Educação Brasileira, professor do Departamento de Filosofia e Ciências Humanas e coordenador do Núcleo de Estudos da Criança e do Adolescente – NECA/UESB. Email: necauesb@yahoo.com.br

quinta-feira, 12 de maio de 2011

18 de Maio


Seqüestrada em 18 de maio de 1973, Araceli Cabrera Sanches, então com oito anos, foi drogada, espancada, estuprada e morta por membros de uma tradicional família capixaba. Muita gente acompanhou o desenrolar do caso, desde o momento em que Araceli entrou no carro dos assassinos até o aparecimento de seu corpo, desfigurado pelo ácido, em uma movimentada rua da cidade de Vitória. Poucos, entretanto, foram capazes de denunciar o acontecido. O silêncio da sociedade capixaba acabaria por decretar a impunidade dos criminosos.


Os acusados, Paulo Helal e Dante de Bríto Michelini, eram conhecidos na cidade pelas festas que promoviam em seus apartamentos e em um lugar, na praia de Canto, chamado Jardim dos Anjos. Também era conhecida a atração que nutriam por drogar e violentar meninas durante as festas. Paulo e Dantinho, como eram mais conhecidos, lideravam um grupo de viciados que costumava percorrer os colégios da cidade em busca de novas vítimas.

A Vitória daquela época era uma cidade marcada pela impunidade e pela corrupção. Ao contrário do que se esperava, a família da menina silenciou diante do crime. Sua mãe foi acusada de fornecer a droga para pessoas influentes da região, inclusive para os próprios assassinos.

Apesar da cobertura da mídia e do especial empenho de alguns jornalistas, o caso ficou impune. Araceli só foi sepultada três anos depois. Sua morte, contudo, ainda causa indignação e revolta. O Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes vem manter viva a memória nacional, reafirmando a responsabilidade da sociedade brasileira em garantir os direitos de todas as suas Aracelis.

O dia 18 de maio foi criado em 1998, quando cerca de 80 entidades públicas e privadas, reuniram-se na Bahia para o 1º Encontro do Ecpat no Brasil. Organizado pelo CEDECA/BA, representante oficial da organização internacional que luta pelo fim da exploração sexual e comercial de crianças, pornografia e tráfico para fins sexuais, surgida na Tailândia, o evento reuniu entidades de todo o país. Foi nesse encontro que surgiu a idéia de criação de um Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual Infanto-Juvenil.

De autoria da então deputada Rita Camata (PMDB/ES) - presidente da Frente Parlamentar pela Criança e Adolescente do Congresso Nacional -, o projeto foi sancionado em maio de 2000.

Desde então, a sociedade civil em Defesa dos Direitos das Crianças e Adolescentes promovem atividades em todo o país para conscientizar a sociedade e as autoridades sobre a gravidade da violência sexual.

Lei 9.970 – Institui o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual Infanto-juvenil

Art. 1º. Fica instituído o dia 18 de maio como o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.

Lutar pela garantia dos direitos dos baianos é o desafio dos 49 novos promotores de Justiça

Assessoria de Comunicação Social        Classificação da Notícia: Institucional
10/05/2011 16:45:47
Redatora: Aline D'Eça (MTb-BA 2594)

Lutar pela garantia dos direitos dos baianos é
o desafio dos 49 novos promotores de Justiça 

Ontem, o compromisso com estudos e provas exaustivas para a conquista de um sonho: tornar-se promotor de Justiça. Hoje, investidos no cargo, o compromisso maior: servir à sociedade, promovendo a justiça, salvaguardando a democracia e efetivando a cidadania. Imbuídos desse propósito, 49 jovens foram empossados na noite desta segunda-feira, dia 9, como promotores de Justiça substitutos do Ministério Público do Estado da Bahia. A posse aconteceu no auditório da nova sede da instituição, no Centro Administrativo da Bahia, em sessão solene do Órgão Especial do Colégio de Procuradores de Justiça presidida pelo procurador-geral de Justiça Wellington César Lima e Silva. Também compuseram a mesa solene da posse o procurador-geral do Estado Rui Moraes Cruz, representando o governador Jaques Wagner; corregedor-geral do MP, procurador de Justiça Adivaldo Guimarães Cidade; procuradora-chefe substituta do Ministério Público do Trabalho da 5ª Região, Adélia Marelin; secretários estaduais da Justiça e Cidadania, Almiro Sena, e do Trabalho, Nilton Vasconcelos; subdefensora pública-geral Liliana Cavalcanti; presidente da Associação do Ministério Público do Estado da Bahia (Ampeb), Jânio Braga; e o presidente em exercício da Ordem dos Advogados do Brasil - Seção Bahia (OAB-BA), Antônio Meneses Nascimento Filho.

“O dia de hoje é um dia de renovação da Instituição. A nossa célula institucional tem uma renovação lenta e isso implica algumas vantagens e alguns cuidados; vantagens porque ela dá perenidade ao nosso projeto, e cuidado porque, como essa renovação é muito ocasional, é preciso zelar muito por ela. Por isso, o processo de um concurso para promotor de Justiça como esse é demorado, exige tanto esforço e cuidado”, observou o chefe do Ministério Público baiano ao dar as boas-vindas aos novos promotores de Justiça. Wellington César frisou que os integrantes da instituição têm o poder de tocar e melhorar a vida das pessoas, mas, ao mesmo tempo, estão expostos a uma série de desafios e armadilhas que exigem uma atuação prudente, pautada no princípio e orientada pelo respeito à Constituição Federal e à dignidade da pessoa humana. “Sempre que a dúvida pairar sobre nós, devemos considerar que o melhor trajeto é refletir de que maneira nos posicionaremos em respeito não a nossa vontade e a nossa opinião, mas em respeito à Constituição, às leis do país e aos princípios internacionais. Esse deve ser um exercício permanente”, orientou o PGJ.

“Cada promotor de Justiça precisa ter a capacidade de transigir, ouvir e ter firmeza, sem perder a ternura e a generosidade, sem perder a convicção de que está atuando como um agente político muitas vezes para promover uma transformação social que reduza desigualdades seculares. Vocês trabalharão em lugares muitos distantes. É preciso olhar para o outro com respeito, colocar-se no lugar dele e exercitar essa generosidade como uma vocação e não apenas como uma retórica em um determinado momento”, observou o PGJ, frisando que a única fortaleza do Ministério Público são a sua imagem e a forma como é legitimado pela população brasileira. E essa legitimação, continuou ele, deve ser conquistada “a cada dia, em cada pronunciamento, em cada parecer e em cada ação refletida que contemple a complexidade dos nossos tempos”.

“Esse é um lugar de pessoas responsáveis, e tenho certeza de que todos aqueles que passaram por este certame estão à altura desta tarefa. Tenho a certeza de que a tenacidade, o compromisso, a cooperação e o equilíbrio que demonstraram em todo esse período lhes dão esse aval”, afirmou Wellington César. “O Ministério Público não é obra de poucos, é obra de muitos, de ontem, de hoje e de amanhã. É também um lugar de trabalhar, de conviver e de sonhar; de desenvolver potencialidades. E essa trajetória foi construída por nomes dos mais variados. O Ministério Público de ontem precisa articular-se com o de hoje, que somos nós. E o Ministério Público de amanhã são os senhores”, concluiu o PGJ.

Na mesma linha de pensamento, o procurador-geral de Justiça Adjunto José Gomes Brito, decano da Instituição, fez uma saudação aos novos promotores de Justiça em nome do Órgão Especial do Colégio de Procuradores de Justiça, defendendo “a aproximação entre a experiência dos mais antigos e a impetuosidade nos novos representantes ministeriais”. Gomes Brito convidou os novos integrantes do MP a se tornarem agentes de transformação social. “Ser promotor de Justiça é manter um permanente contato com os indivíduos, em especial os mais pobres e carentes de justiça social. É atender o povo, é cuidar da sociedade em seus interesses concretos. Não é encastelar-se no gabinete esperando a promoção para a capital”, alertou o PGJ Adjunto. “Que as batalhas travadas em vários fronts, que as bandeiras, vitórias e conquistas do Ministério Público baiano sejam a mais justa diretriz para o caminho da força e da retidão, numa busca ainda mais aguerrida pela justiça e pela efetivação da cidadania. E que o advento desses novos promotores de Justiça – já experimentados em um dos mais difíceis certames que se conheceu em solo brasileiro – nos transmita o entusiasmo, a bravura e a inventividade inerentes à juventude”, desejou.

O presidente da Ampeb, promotor de Justiça Jânio Peregrino Braga, também fez uso da palavra para saudar os novos promotores de Justiça. Afirmando que a entidade de classe estará sempre ombreada com cada um deles, Jânio Braga disse ter “absoluta convicção de que todos estão imbuídos no propósito de servir ao Ministério Público com empenho, competência e coragem, pois assim estarão servindo à sociedade, razão maior da nossa existência como Instituição”.

Em nome dos novos promotores de Justiça, coube ao primeiro colocado no concurso, o promotor de Justiça José Botelho Almeida Neto, falar sobre os desafios e expectativas que os recém-empossados vislumbram no exercício da nova carreira. “Ciente das dificuldades que enfrentaremos na
investidura do cargo, advindas das divergências sociais e culturais deste extenso estado da Bahia, chamo atenção dos colegas agora empossados para uma atuação responsável, com observância dos deveres constitucionais e legais delineados ao promotor de Justiça, visto que os poderes nos quais agora estamos investidos são instrumentos a serem utilizados a serviço do desempenho do cargo e no exercício das funções ministeriais, não como arte da satisfação pessoal, tampouco da vaidade humana”, afirmou o novo promotor, concluindo que “o exercício do poder somente é legítimo se forem observados seus limites e sua finalidade. Em nossa carreira profissional, não serviremos as nossas vaidades. Seremos promotores de Justiça e defenderemos a sociedade”. O novo promotor também aproveitou a oportunidade para parabenizar todos os membros da banca examinadora do concurso “pela lisura, seriedade e transparência na condução do certame”.

Os 49 novos promotores de Justiça empossados são: José Botelho Almeida Neto, Saulo Murilo de Oliveira Mattos, Pablo Antônio Cordeiro de Almeida, Augusto Joaquim de Azevedo Júnior, José Reis Neto, Ivelinne Noemi Silva Porto, Ana Claudia Fonseca Costa, Letícia Queiroz de Castro, Sammuel de Oliveira Luna, Daniele Cochrane Santiago Dantas Cordeiro, Rafael Lima Pithon, Karina Silva Santos Oliveira, Dario José Kist, Rodrigo Nogueira Mendonça, Milena Moreschi, Marco Aurélio Nascimento Amado, André Bandeira de Melo Queiroz, Tatyane Miranda Caires de Mansine Castro, Joseane Mendes Nunes, Ana Carolina Campos Tavares Gomes, Francisco Melo Mascarenhas, Lívia Sampaio Pereira, Mayanna Ferreira Ribeiro, Letícia Campos Baird, George Elias Gonçalves Pereira, Ítala Maria de Nazaré Braga Moura, Lucas Ramos de Vasconcelos, Rafael Henrique Tarcia Andreazzi, Carlos André Milton Pereira, Thyego de Oliveira Matos, Leonardo Quintans Coutinho, Anna Karina Omena Vasconcellos Senna, Lair Faria Azevedo, Juliana Lopes Ribeiro Ferreira, Mirella Barros Conceição Brito, Ana Patricia Vieira Chaves Melo, Carlos Augusto Machado de Brito, Rodolfo Ribeiro de La Fuente, Thiago Cerqueira Fonseca, Adriano Freire de Carvalho Marques, João Batista Madeiro Neto, Artur Ferrari de Almeida, Moacir Silva do Nascimento Júnior, Laíse de Araujo Carneiro, Alícia Violeta Botelho Sgadari Passeggi, Fabrício Guida de Menezes, Hugo César Fidelis Teixeira de Araújo, Michele Aguiar Silva Resgala e Rui Gomes Sanches Júnior.

ASCOM/MP – Telefones: (71) 3103-6505/ 6502/ 6567

quarta-feira, 11 de maio de 2011

POÇÕES:Campanha de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes:“Tem coisas que não dá para fingir que não vê”


SECRETARIA MUNICIPAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL





Convite


 
 A Secretaria Municipal de Assistência Social estará promovendo, no mês de maio de 2011, a Campanha de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, cujo tema “Tem coisas que não dá para fingir que não vê”, com intuito de chamar atenção da sociedade e autoridades para combatermos a violência sexual contra crianças e adolescentes no município.

Portanto, solicitamos apoio de toda comunidade do município de Poções para juntos participar de uma passeata silenciosa e com todos vestidos de preto para demonstrar o repudio ás pessoas que cometem este tipo de crime. A passeata será no dia 18 de maio, ás 08:30h, com saída do CREAS ( Centro de Referência Especializado de Assistência Social, situado na rua Aloísio Rocha, N° 08, Centro.



Venha participe e colabore.




Rita de Araujo Mascarenhas

Sec. Mun. De Assistência Social

terça-feira, 10 de maio de 2011

Morre menino que fez transplante de coração no RJ

Patrick Alves estava em estado crítico e necessitava de suporte respiratório.
Ele foi submetido à cirurgia em 15 de abril, no Instituto Nacional de Cardiologia.

Do G1 RJ

Patrick coração artificial (Foto: Reprodução / TV Globo) Menino Patrick morreu quase um mês após cirurgia
de coração (Foto: Reprodução / TV Globo)
Quase um mês após um transplante de coração, o menino Patrick Hora Alves, de 10 anos, morreu na noite desta terça-feira (10). As informações foram confirmadas pela assessoria do Instituto Nacional de Cardiologia (INC), em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio de Janeiro.

O pai do menino, Luis Claudio Alves, informou que entre as causas da morte estão choque cardíaco e insuficiência renal. Ele faleceu por volta de 19h40. O corpo do menino será cremado na sexta-feira (13) no Memorial do Carmo, no Caju, na Zona Portuária do Rio.


Em nota oficial divulgada na noite desta terça-feira, o Instituto Nacional de Cardiologia (INC) informou que Patrick morreu de falência múltipla de órgãos, decorrente de uma infecção provocada por uma pneumonia.


Menino não respondia bem ao tratamento
 
Mais cedo, o hospital divulgou um boletim médico que dizia que o paciente não respondia bem ao tratamento. Patrick foi submetido à cirurgia em 15 de abril, no Instituto Nacional de Cardiologia (INC), em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio.

Os médicos explicaram, nesta terça-feira, que Patrick estava em estado crítico e necessitava de suporte respiratório e renal. O menino piorou no último fim de semana.
Em 29 de abril, os médicos chegaram a avaliar a possibilidade de reduzir a sedação no paciente, o que não aconteceu.

Patrick foi a primeira criança do Brasil a conviver com um coração artificial por cerca de 30 dias. O diretor do INC, Marco Antonio Mattos, explica que Patrick sofria de uma doença genética chamada miocardiopatia restritiva. Desde então, ele teve dois coágulos no coração e o órgão acabou se deteriorando, após uma das cirurgias para a retirada do coágulo. O coração artificial poderia ficar no corpo da criança por até três meses.

18 de Maio Dia Nacional de Combate a Violência Sexual de Crianças e Adolescentes







Fonte: Ministério Público do Estado da Bahia

Residência Judicial se torna lugar de prostituição e ponto de uso de drogas

Escrito por Liberdade FM
Ter, 10 de Maio de 2011 10:05
RESIDENCIA_2A Residência Judicial aqui em Poções destinada a hospedar juiz e promotor na cidade, está abandonada. Os servidores judiciários que deveriam ocupá-la residem em outras casas na cidade. 

A residência judicial fica localizada no Bairro Primavera, no fundo da Escola Municipal Pedro Cunha.

Segundo abaixo-assinado dos moradores das ruas próximas a Residência Judicial, “a situação dos imóveis é caótica. Os prédios públicos estão abandonados, vidro, janelas, portas, portões e telhados quebrados; as casas estão servindo com ponto de uso de drogas e de prostituição, está virando abrigos de marginais e, por conseguinte, expondo a segurança das famílias que moram nas ruas adjacentes”.

RESIDENCIA_4
No abaixo-assinado, os moradores solicitam ao Conselho Tutelar e o Ministério Publico a adoção de medidas que visem coibir as praticas de vandalismos que ocorrem atualmente no local, e, para tanto, sugerem ainda que estas propriedades sejam destinadas ao uso pela comunidade como a possível instalação de uma creche ou mesmo como extensão da Escola  Pedro Cunha.

Fonte: Liberdade FM

II Congresso Nacional Diversidade, Ética e Direitos Humanos em Itapetinga-BA, entre os dias 15, 16 e 17 de junho de 2011

II CONGRESSO NACIONAL DIVERSIDADE, ÉTICA E DIREITOS HUMANOS  - II 
CNDEDH

 


O II Congresso Nacional Diversidade, Ética e Direitos Humanos – II CNDEDH na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB, promovido pelo  Núcleo de Pesquisa e Extensão Gestão em Educação e Estudos Transdisciplinares – NUGEET, tem como tema gerador: “Compromissos e desafios das Políticas Públicas em Educação e Defesa dos Direitos Humanos”. 

O objetivo do Evento é suscitar discussões, debates, reflexões, construções e divulgação dos conhecimentos sobre a temática proposta. Desse modo, pretende-se analisar situações-problemáticas relacionadas às questões humanitárias e culturais na sociedade em geral. Além do mais, espera-se a troca de experiências e estudos científicos, através do diálogo baseado na educação em valores, solidariedade, cooperação e direitos sociais do cidadão, com pesquisadores e profissionais das diferentes áreas do saber. 

O II CNDEDH propõe um ambiente  para a socialização de pesquisas, trocas de saberes e experiências na perspectiva de uma educação em valores para o exercício da cidadania:  respeito às diferenças sociais e/ou culturais e justiça sociais. É a oportunidade para fomentar a criatividade para a construção de uma sociedade e mundo mais humanos, solidários, capazes de incorporar os avanços do desenvolvimento científico e tecnológico. 


O II CNDEDH será realizado nas dependências da UESB, Campus Juvino de Oliveira, Itapetinga, BA, entre os dias 15, 16 e 17 de junho de 2011, e tem como público alvo: pesquisadores e profissionais das diversas áreas do conhecimento, pesquisadores de iniciação científica, de pós-graduação, alunos de diversas graduações e demais interessados.
Email encminhado por Fábio Ferreira - Conselheiro Tutelar de Itarantim BA

sexta-feira, 6 de maio de 2011

A TODAS AS MÃES QUE LUTAM PORQUE ACREDITAM NO AMOR SUPREMO!

Esta história pode representar tantas outras que acontecem diariamente em nosso país. Em 1916, em brejo de Areias no sertão do Estado da Paraíba, uma menina com mais 11 irmãos e irmãs, tentou, como uma parcela significativa dos chamados nordestinos, sobreviver. Viveu na casa do seu avô em um pequeno sítio de propriedade da família onde lá experimentou o aconchego e a dura vida do campo. 

Na pobreza da região nordeste do Brasil, sobejamente conhecida, nesse pequeno sítio, tudo era partilhado com muita dificuldade, mas também havia a felicidade e o carinho como tem sido em muitas famílias que lutam para sustentar e educar seus filhos neste imenso país.

A menina começou desde cedo, como milhares de crianças e adolescentes, a ajudar nos trabalhos domésticos e assim foi ganhando experiência. Aos doze anos de idade, para ajudar no sustento e na sobrevivência da família, começou a trabalhar na casa de um professor universitário. Lá aprendeu o que significava estar longe do seu lar, de sua família. Lá, teve sua primeira experiência de vida e as siladas que o coração permite sobre a necessidade do afeto: sua primeira experiência amorosa e dois filhos não reconhecidos.

Não podendo criar esses filhos, seu pai e sua mãe acharam por bem assumir a paternidade e a criação dos mesmos. E, na inquietude da juventude, como toda jovem mulher em busca da felicidade, nas voltas que a vida dá, apaixonou-se mais uma vez e resolveu, como muitos nordestinos, ir para São Paulo, a terra prometida, onde tudo parecia ser mais fácil: mais opções, mais empregos. 

Seguiu em um caminhão pau-de-arara e chegou a tão falada cidade. Como era grande! Quanto movimento, quantas luzes, quanta agitação! Lá teve mais três filhos e enfrentou várias dificuldades e muitas humilhações. Na terra prometida lhe faltava tudo: um lugar para morar, emprego, comida, afeto, o cheiro da terra querida, a sua cultura. Restava a saudade da família distante. 

Mesmo assim acreditava que tudo iria mudar. Um dia, sem muitas explicações, o seu companheiro foi embora, deixando-a para trás, sozinha com três crianças, sem família, sem emprego e sem ter onde morar. 

A vontade era a de voltar para o nordeste, para a sua família, para a sua terra. Mas como? O que iria dizer? Como poderia explicar? Como iria sobreviver por lá agora tinha mais três crianças? Nesse momento, acreditando que existia um Ser superior que, com certeza, poderia ajudar, resolveu permanecer em São Paulo e enfrentar o que viesse.

Conseguiu, assim, uma oportunidade de emprego como empregada doméstica. Mas a patroa foi logo dizendo que precisaria dormir no emprego e que as crianças, ali, não poderiam ficar. Mas quem poderia cuidar das suas crianças enquanto ela cuidava das crianças dos outros?

A patroa ofereceu, então, como ajuda, a indicação de um colégio interno no interior do Estado de São Paulo, distante 500 km da capital, onde poderia deixar as crianças. Nesta época estava em pleno funcionamento a Política Nacional do Bem Estar do Menor, representada pela FUNABEM e FEBEMs nos vários Estados brasileiros. Esta política, com o discurso de proteção ao “menor”, punia as famílias pobres que, muitas vezes, não tinham condições de cuidar de suas crianças. Pobres, as crianças eram então rotuladas como “abandonadas” e, portanto, como medida de proteção, eram internadas em instituições públicas e/ou subsidiadas pelo Estado.

Não tendo outra opção, a jovem mãe teve que separar a família e encaminhou os dois irmãos para uma instituição masculina e a irmã seguiu para outra cidade. Uma vez por ano, a mãe buscava as crianças para passar as “férias” na capital onde trabalhava. Ao deixá-las de volta na instituição, as prometia que um dia viria buscá-las definitivamente.

E trabalhou para isso: noite e dia, até que entendeu que poderia começar a morar fora da casa do patrão. Mas, quando isso aconteceu, ligaram do colégio avisando que as crianças não poderiam ficar mais lá. Essa foi a resposta da patroa.

No quarto alugado de 12 metros quadrados com uma cama, um fogão, um pequeno guarda roupas e um banheiro externo (para ser dividido com outras 10 famílias que ocupavam quartos iguais) começou a reconstrução do seu lar.

Aos doze anos seus filhos foram levados para morar junto com ela, porque já podiam trabalhar. Depois do trabalho, quantas vezes eles ficavam aguardando a mãe também chegar do emprego com a primeira refeição do dia, pois sabiam que ela traria consigo a comida, que deveria ser o seu almoço no trabalho.

Mesmo sem saber ler e escrever a mãe exigiu dos filhos que estudassem e um deles terminou a graduação, o mestrado e chegou a “virar doutor”. Com o seu emprego de doméstica (que não tinha direito a domingos, feriados e nem festas de fim de ano), a mãe criou os três filhos e os salvou da morte, marginalidade e do abandono. E o tempo foi passando... e através do trabalho precoce e exaustivo de todos, a família superou a pobreza extrema.

Este é o breve relato da história da minha mãe que não mais poderei beijar, abraçar, dar carinho e agradecer por me permitir chegar até aqui, pois já partiu para descansar dessa difícil jornada.

Aproveito esta oportunidade, então, contanto a sua história, para homenageá-la e a todas as mulheres, professoras da Candelária, Realengo, Vitória da Conquista, Bahia e Brasil, a todas as mães que, com determinação e amor supremo conseguem, muitas vezes sozinhas e sem a presença do homem que um dia amaram, criar os seus filhos e filhas.

E, àquele(a)s que ainda têm a oportunidade de conviver com o aconchego de sua mãe (biológica ou de criação), que não percam a oportunidade de agradecê-la, amá-la, respeitá-la e fazê-la muito feliz. Pois não basta dizer que as amam, é preciso demonstrar, é preciso que elas sintam-se amadas!

Agradeço a Deus por minha mãe ALICE e desejo a todas as mulheres/mães um FELIZ DIA DAS MÃES. 


*Reginaldo de Souza Silva – Doutor em Educação Brasileira, professor do Departamento de Filosofia e Ciências Humanas da UESB. Email: reginaldoprof@yahoo.com.br.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Conanda convoca 9ª Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente

Por: Pró-Menino

O Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) aprovou na assembléia do último mês de março a convocação para a 9ª Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, que será realizada em Brasília, no período de 11 a 14 de julho de 2012. A Conferência Nacional será precedida por etapas municipais e estaduais.

Segundo a convocação, as conferências municipais deverão ser realizadas entre agosto e novembro de 2011, enquanto as etapas estaduais estão previstas para o período de fevereiro a maio de 2012. A 9° Conferência irá debater e deliberar a Política Nacional e o Plano Decenal dos Direitos da Criança e do Adolescente.

A resolução que convoca a 9° Conferência Nacional será publicada no Diário Oficial até a próxima semana. O secretário executivo do Conada, Luis Otávio Daloma alerta para a importância dos municípios estarem atentos à proximidade das datas para a para realização das etapas municipais. O colegiado formou uma comissão de conselheiros para preparar diretrizes e orientações para as conferências. O Conanda é ligado à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) e tem em sua composição representantes do governo e da sociedade civil.

Fonte: SDH - 26/04/2011

Crianças chefiam 132 mil casas no Brasil

Levantamento do IBGE mostra que, em muitas famílias, o trabalho infantil é a principal fonte de renda

do clipping da Andi

O Censo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela um cenário ainda preocupante: existem 132.033 domicílios no Brasil chefiados por crianças entre 10 e 14 anos. O Sudeste é a região com a maior concentração no número de responsáveis nesta faixa etária, com 62.320 casos. Proporcionalmente ao total de 57 milhões de domicílios no País, esse número (132 mil) não é expressivo. Entretanto, reflete outra realidade: a presença de trabalho infantil na sociedade brasileira. “É mais uma evidência da existência do trabalho infantil e que, em muitas famílias, é a principal fonte de renda”, afirmou o presidente do IBGE, Eduardo Pereira Nunes. Foi a primeira vez que o órgão investigou a responsabilidade pelo lar nessa faixa etária.

Fonte: A notícia foi publicada nos principais jornais do País – 30/04/2011

Sem orçamento e participação popular, direitos de crianças e adolescentes continuarão apenas no papel

Assessoria de Comunicação Social        Classificação da Notícia: Infância e Juventude
                       29/04/2011 11:55:17

Redatora: Aline D'Eça (MTb-BA 2594)

Sem orçamento e participação popular, direitos de
crianças e adolescentes continuarão apenas no papel

As políticas públicas definem o modo como viveremos e como nossas crianças crescerão. Deste maneira, elas não podem ser elaboradas apenas pelos gestores, sem a participação da sociedade e sem diálogo. Apenas a existência do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) não pode garantir a transformação da realidade das crianças e adolescentes do nosso país. Suas previsões precisam sair do papel, se tornarem realidade. E sem previsão orçamentária, isso nunca acontecerá. Estes foram alguns dos pontos comuns abordados na manhã de ontem, dia 28, pelo procurador-geral de Justiça Wellington César Lima e Silva, pelo reitor da Universidade Estadual do Sudoeste (Uesb), Paulo Roberto Pinto Santos, e pelo promotor de Justiça Millen Castro durante a abertura do 'I Ciclo Preparatório para os 21 Anos do ECA: Lugar de Criança é no Orçamento', em Vitória da Conquista.

“Poderíamos sintetizar o significado desse encontro em três palavras: participação, protagonismo e orçamento”, disse o chefe do Ministério Público baiano ao abrir o evento. Segundo ele, a participação popular é o que dá substancialidade a uma democracia, que a torna real e não apenas um simulacro de democracia. “Vivemos numa quadra de muita perplexidade no país no que diz respeito à qualidade da nossa representação política. E a única forma de produzirmos um salto qualitativo nesse domínio não é com uma atitude simplificadora, nem tampouco com a atitude de abdicar de participar da cena”, ressaltou o procurador-geral de Justiça, afirmando que a atividade política é uma necessidade do viver em sociedade, por isso as pessoas devem despir-se de preconceitos e serem motivadas à aproximar-se do fenômeno político, cobrando as necessárias políticas públicas.

“Alguns ideais reclamam mais que participar; é preciso protagonizar. E o papel do Ministério Público é este que está sendo exercido aqui (nesse evento). O MP não pode ser tutor da sociedade e nem deve pretender sê-lo. Ele deve estimular que a sociedade se organize cada vez mais e melhor. Este é o papel do Ministério Público: entronizar a sociedade no debate das principais questões da cidadania”, salientou Wellington César. Ainda de acordo com o PGJ, o ECA é um dos diplomas legais mais avançados do mundo, mas “de nada adianta ter uma boa lei se não tivermos vontade política e condições materiais de implementá-la totalmente”. Segundo ele, a existência de um marco legal como o ECA é apenas um ponto de partida. O ponto de chegada é a efetivação desses direitos, “que somente se viabilizará na medida em que tivermos as condições materiais necessárias. Por isso é fundamental que exista a previsão orçamentária”. E, para que isso ocorra, é preciso que as pessoas que trabalham nessa área estejam familiarizadas com o tema, afirmou o procurador-geral de Justiça. “A importância prática desse evento é essa: consolidar uma reflexão com uma ação”, concluiu.

Esse “papel de articulador social”, acrescentou o promotor de Justiça Millen Castro, foi conferido ao Ministério Público pela Constituição Federal de 1988. E, segundo ele, esse papel deve ser ainda mais incisivo na área da infância e juventude. Por isso, explicou, “este evento não é de capacitação, mas de convocação, articulação e sensibilização. A ideia é que todos saiam daqui instigados a estudarem e a trabalharem com a questão do orçamento”, disse o coordenador do Núcleo de Apoio para Implantação, Estruturação e Fortalecimento dos Conselhos de Direitos, Tutelares e Fundos Municipais dos Direitos da Criança e do Adolescente (Naic). O promotor de Justiça lamentou a ausência de prefeitos e vereadores no evento – que conta com cerca de 400 pessoas – e afirmou que é preciso “quebrar a caixa preta do orçamento”. “Eu gostaria de ouvir porque os prefeitos e vereadores não estabelecem, no orçamento, a prioridade absoluta para a infância e juventude”, frisou Millen Castro. “E a resposta é: porque não houve provocação da sociedade”. Segundo ele, a participação popular prevista na Constituição só vai-se efetivar quando realmente os conselhos de direitos forem fóruns de discussão.

O promotor de Justiça informou, ainda, que o Naic está fazendo um diagnóstico para saber como é a estrutura e como estão funcionando todos os Conselhos Tutelares e de Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCAs) da Bahia, que dará uma dimensão de como é a atuação dos municípios nessa área. Ele lamentou que muitos conselhos tutelares ainda estejam utilizando o Ministério Público como “muletas”, não assumindo o seu protagonismo no papel de defesa das crianças e adolescentes, e o fato de que os CMDCAs não assumirem o papel de elaboração das políticas públicas para a infância e juventude. Como resultado, explicou Millen, na maioria dos municípios são os prefeitos e vereadores que definem, sozinhos, essas políticas, “porque a sociedade ainda não assumiu o papel de protagonista na sua elaboração”.

Também participaram da abertura do 'I Ciclo Preparatório para os 21 Anos do ECA: Lugar de Criança é no Orçamento', o coordenador da Infância e Juventude do Tribunal de Justiça, juiz Cláudio Daltro; o procurador do Trabalho Marcos de Jesus; a secretária municipal de Assistência Social de Vitória da Conquista, Nádia Márcia Campos; o presidente da Fundacem, César Montes; o presidente da subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Vitória da Conquista, Guttenberg Macedo Júnior, dentre outros.

A primeira palestra do evento, sobre 'Intervenção judicial sobre o orçamento público e a prioridade absoluta na Infância e Juventude', foi feita pela procuradora do Trabalho Rosângela Lacerda, e teve como debatedor o promotor de Justiça da Infância e Juventude de Vitória da Conquista, Marcos Coelho, e como moderador o advogado do Núcleo de Defesa da Criança e do Adolescente da Uesb, Michael Alencar Lima. Abrindo os debates sobre o tema, Marcos Coelho chamou atenção para duas previsões constitucionais (do art. 204, que trata das ações governamentais na área da assistência social) que passam despercebidas de todos: a questão da descentralização político-administrativa e a participação popular, por meio de organizações representativas, na formulação das políticas e no controle das ações em todos os níveis.

Segundo o promotor de Justiça, a Constituição Federal previu esta democracia participativa porque quis assegurar que, cada vez mais, a sociedade civil seja protagonista nas decisões sobre as políticas públicas. Mas, lamentou Marcos Coelho, há uma má vontade da maioria dos participantes dos conselhos de direitos em participarem das reuniões do CMDCA. “A política pública na área da Infância e Juventude está sendo discutida ali naquele palco. Se a sociedade não assumir o seu papel, o que vai ocorrer? O chefe do poder político vai 'deitar e rolar', e tomara que ele seja uma pessoa séria. Mas se ele fizer qualquer coisa errada, qual a moral que nós da sociedade teremos para poder criticar se nós não participamos na instância correta?”, protestou o promotor de Justiça, conclamando todos a participarem ativamente desses conselhos, até para legitimar a atuação do Ministério Público. “Se vocês não ocuparem os Conselhos e acharem que eles são coisa muito séria e continuarem se omitindo no seu município, nada vai mudar. Vocês podem participar de dezenas de ciclos, ouvir dezenas de palestras, mas nada vai mudar!”, concluiu.

O evento continua durante todo o dia de hoje. Outros ciclos preparatórios estão previstos para acontecer em Salvador (dias 19 e 20 de maio), Ilhéus (6 e 7 de junho) e Feira de Santana (11 e 12 de julho). Nos dias 26 e 27 de setembro, no Centro de Convenções da Bahia, será realizado o 'Congresso ECA 21 anos - Sistema de Justiça e Conselhos pelo Desafio da Prioridade Absoluta'.

ASCOM/MP – Telefones: (71) 3103-6505/ 6502/ 6567

Fundação Telefônica lança publicação para apoiar sistema de proteção a crianças e adolescentes

Elaboração do guia teve apoio do movimento Juntos pelo ECA, que ajudará na distribuição para mais de cinco mil municípios
 
São Paulo, 03 de maio de 2011 – Os Conselhos Municipais dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) ganham agora um instrumento para ajudá-los a estruturar a atuação e a gestão do órgão de uma forma mais estratégica. Trata-se do livro “Conhecer para Transformar”, primeiro guia para diagnóstico e formulação da política municipal de proteção integral na área da infância e juventude lançado no Brasil. O guia, com 327 páginas, traz uma metodologia específica para diagnosticar e planejar na área.

A iniciativa é da Fundação Telefônica, com apoio do movimento Juntos pelo ECA, que reúne 14 empresas e instituições que atuam na defesa dos direitos da criança e do adolescente.  A metodologia é da Prattein, consultoria especializada, que a utilizou para orientar 73 municípios situados em diferentes Estados e interessados em iniciar ou aprimorar processos de diagnóstico local para a elaboração de planos de ação. O livro será distribuído a todos os CMDCAs do país, ou seja, chegará a mais de cinco mil municípios.
 
O objetivo do guia é ajudar os Conselhos Municipais a diagnosticar os problemas que atingem a população infanto-juvenil, analisar as condições e capacidades disponíveis no município para enfrentar esses problemas e propor ações que garantam os direitos previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A publicação cumpre o papel de ajudar não só os CMDCAs, mas também os demais órgãos municipais envolvidos com a proteção da criança e do adolescente, a olhar para o município como um todo, de maneira integrada.
 
“É no município que se articula a proteção integral da criança e do adolescente e é para onde deve convergir o diálogo entre todas as instâncias governamentais e não-governamentais voltadas para esse propósito”, defende Sergio Mindlin, diretor-presidente da Fundação Telefônica. Segundo ele, cada cidade deve buscar o fortalecimento da rede de assistência e garantias de direitos, para que esse esforço se traduza na definição de políticas públicas eficazes e num atendimento de qualidade.
 
Para o investimento social privado, o guia também traz ganhos, na medida em que possibilita uma melhor sistematização do trabalho dos CMDCAs. “É um avanço para os municípios e para as empresas que atuam na área e que querem clareza na estruturação do atendimento a crianças e adolescentes, com resultados que possam ser medidos”, afirma Mindlin.
 
O lançamento da publicação acontece neste dia 4, durante o Seminário Redes e Sustentabilidade no Sistema de Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente, que a Fundação Telefônica promove em São Paulo. Uma versão digital do livro estará disponível no site do portal Pró-Menino, da Fundação Telefônica: www.promenino.org.br.
 
Sobre a Fundação Telefônica
 
A Fundação Telefônica gerencia a maior parte da Ação Social e Cultural do Grupo Telefônica no mundo, demonstrando seu compromisso com as sociedades junto às quais atua. A instituição está presente na Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Espanha, México, Peru, Equador, El Salvador e Venezuela e também desenvolve programas junto a operadoras locais da Telefônica na Guatemala, Nicarágua, Panamá e Uruguai. No Brasil, foi criada em 1999 e atua para o desenvolvimento social, através da consolidação dos direitos das crianças e dos adolescentes. No ano passado, mais de 609 mil pessoas foram beneficiadas diretamente pelos projetos que desenvolve, por meio dos programas EducaRede,  Pró-Menino, Arte e Tecnologia e Voluntários Telefônica. Acesse: www.fundacaotelefonica.org.br.
 
Sobre o Juntos pelo ECA
 
O movimento Juntos pelo ECA nasceu em 2010, por ocasião da comemoração dos 20 anos do Estatuto. Hoje, é formado por 14 integrantes: Instituto Votorantim, Instituto HSBC Solidariedade, Instituto Camargo Corrêa, Instituto Unibanco e Instituto Paulo Montenegro; a Fundação Itaú Social, Fundação Telefônica, Fundação Vale e Fundação ArcelorMittal; os bancos Santander e Bradesco; o SESI/SP, SESI/CN, e o GIFE – Grupo de Institutos, Fundações e Empresas. Todos possuem atuação relevante na defesa da garantia dos direitos da criança e do adolescente. O movimento defende a atuação em rede de forma inter-setorial, como também o compartilhamento e o aprimoramento de metodologias e experiências.
 
Mais informações:
 
Assessoria de Imprensa Fundação Telefônica
Marli Romanini
(11) 3035-1971

Disque Denúncia Nacional - DDN 100